| Famílias
do Século XXI - Homoafetividade
e homopaternidade são pautas de Seminário
Por
Erik Galdino - 4/7/2005
O
modelo de família homem-mulher conhecido desde
o século XII não é a única
realidade de relacionamentos conhecidos no Brasil e
em quase todo o mundo atualmente. A família mãe-mãe,
pai-pai, avós-netos e afins é uma realidade
e a luta pelo reconhecimento destas “famílias
alternativas” é uma árdua batalha
de diversos grupos ativistas que se reuniram neste sábado,
2/7, para debater esta realidade.
O
seminário girou em torno da origem da família,
os aspectos psicológicos de um casamento homossexual,
maternidade lésbica, família do século
XXI e casais homossexuais com filhos.
A
Origem da Família
Edith Modesto - uma das fundadoras do Grupo de Pais
de Homossexuais - foi mediadora da mesa onde o debate
central era o paradoxo das relações entre
pais e filhos homossexuais. Alguns depoimentos de mães
que assumem a homossexualidade de seus filhos foram
ouvidos durante a mesa. Thereza Pires, Mercedes de Oliveira
Claudinei, Rildo Gonçalves e Tatiana Dutra, todos
pais que integram o GPH – Grupo de Pais de Homossexuais
- discursaram.
Aspectos
Psicológicos
Fernando Teixeira é advogado e presidente do
NEPS – Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre
as Sexualidades, e esteve na posição de
facilitador do debate sobre os aspectos psicológicos
de casais homossexuais e também participou da
explanação Jucely Cardoso, psicóloga
e coordenadora do Grupos de Cais Gays de Ribeirão
Preto.
Maternidade
Lésbica
“Eu Amo Muito Elas”, um documentário
da PUC de Campinas que fala sobre uma família
onde a avó assumiu sua homossexualidade e vive
em completa harmonia com sua filha e seus netos, foi
apresentado no meio da tarde, “pensei que fosse
passageiro e que em alguns meses estaria tudo resolvido”,
disse a filha de uma mãe homossexual.
Sandra
Lopes, do núcleo de assuntos antidiscriminatórios
da OAB-SP, falou em seguida sobre a importância
dos grupos organizados, sobretudo de lésbicas,
que possam desmistificar alguns pré-conceitos
que a sociedade carrega na questão das mães
lésbicas: “a mãe, para cuidar bem
de seu filho, independe de sua orientação
sexual, tem que estar feliz como homossexual. Assumir
a homossexualidade para os filhos é um processo
importante e que deve ser feito o quanto antes para
que a criança não vá buscar no
meio exterior a resposta para suas dúvidas e
talvez obter respostas equivocadas”, completou.
Segundo
ela, um problema recorrente entre mães lésbicas,
é a briga judicial pela guarda dos filhos. É
comum pais e avós requererem a guarda da criança,
alegando a sexualidade da mãe como motivo para
sua incapacidade em criar a criança, "porém
a lei no Brasil é sempre a favor da mãe
e dificilmente perde-se a guarda", acredita a advogada.
Famílias
Homoafetivas
Klécius Borges, psicólogo que atua especificamente
com terapia de famílias alternativas, falou sobre
a reação
dos filhos quando ficam sabendo sobre a (homo)sexualidade
dos filhos. “É importante que os pais homossexuais
estejam preparados para as questões que poderão
ser abordadas e procurar ajuda de um profissional. Terapia
em grupo é uma das melhores alternativas”,
diz Klécius.
Irina
Bacci, presidente da INOVA – Associação
de Famílias GLTTB - falou sobre o modelo de família,
que pra ela está desatualizado. “O modelo
atual de família está em falência
e a constituição desatualizada”,
disse Bacci.
Irina
completou sua fala com os dados de uma pesquisa-piloto
realizada na cidade mineira de Juiz de Fora concluída
pelo IBGE, que apontava a existência de 17 diferentes
modelos de família vivendo na cidade, entre elas
famílias de homossexuais.
Brasil
do Século XXI
Lula Ramires, educador e responsável pela coordenadoria
de educação do Grupo Corsa, alertou sobre
a importância da educação da criança
para que não seja projetado um adulto preconceituoso.
Segundo a deputada federal Iara Bernardi os livros didáticos
são altamente conservadores: “Nos livros
didáticos o modelo de família é
pai que trabalha fora, mãe que cuida da casa
com o auxilio da menina e o menino que brinca na rua”,
completa.
Cerca
de 30% das famílias brasileiras são sustentadas
por mulheres, segundo Iara, e isso é um "sinal
de que o conservadorismo das leis de da sociedade tem
de ser revisto". Iara também falou sobre
importância que hoje a Frente Parlamentar pela
Livre Expressão Sexual - da qual ela é
líder - tem no Congresso Nacional. “Antes
da criação da Frente Parlamentar eram
5 ou 6 deputados que apresentavam projetos voltado aos
GLBTs e hoje é uma organização
com dezenas de deputados que já conseguiram com
que Severino prometesse colocar a Projeto de Parceria
Civil, de Marta Suplicy, em votação no
próximo mês”.
(*Conteúdo recebido
por e-mail em 07/07/2005 - Enviado por internauta)
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