| BRASILEIRA,
LÉSBICA E FELIZ
A
sociedade tolera os gays mas não tolera as lésbicas
de forma alguma. Nem a Bíblia se atreve a nomear
esta relação, de tão abominável.
Apesar de toda a carga de preconceito, com os gays é
diferente. A pressão é menos explícita.
Eles têm, na tradução do comportamento,
a alegria (gay = alegre). E as lésbicas? O que
dizer, por exemplo, da palavra (rídicula) sapatão?
As lésbicas negam aquilo que a sociedade mais
impõem: a maternidade. Você pode dizer
que há mulheres-mães que são lésbicas,
e que portanto, reproduziram. Tudo bem, sei disso. Só
que esta maternidade específica é marginal,
exatamente pela condição homossexual.
Quem puder, tenta ( e tem conseguido ) afastar judicialmente
esta mães de seus filhos, pelo único fato
de terem escolhido amar a uma mulher e não a
um homem.
Você já reparou que a forma de nomear o
homossexual masculino é importada? "Gay"
por exemplo, já vem carregado de hierarquia.
Quero dizer, ser "gay" é muito diferente
de ser "veado". "Veado" é
pejorativo. "Gay" é quase um elogio.
"Gay" é aceitação. "Veado"
é preconceito. Penso que discutir esse tipo de
preconceito por cima do preconceito que a sociedade
prega é uma forma de não se alienar.
Dizer para a sociedade que existem mulheres "assim"
é uma questão. Agora, dizer que mulheres
assim lésbicas podem e devem ser felizes, e que
temos os mesmos problemas que o resto dos mortais é
não se alienar.
As pessoas precisam ouvir que não fomos uma maldição,
e que não estamos obrigados à infelicidade.
Precisamos gritar que não estamos subordinados
a valores masculinos os quais, aparentemente, dão
somente aos gays o direito de optar pelo homossexualismo.
Enquanto estivermos expressando nossa sexualidade, estaremos
nos livrando das armadilhas que a sociedade nos impõem.
Precisamos, as lésbicas, combater a sexualidade
normativa e precisamos dizer à pessoas que não
existe sexualidade dita "normal" e outra "anormal".
Somos capazes de administrar nossa vida sexual, muitas
vezes melhor e muito mais profundamente que os demais.
Afinal, enquanto persistirmos nos recalcamento de nossa
homossexualidade, estaremos impedindo uma aliança
entre nós mesmos, que só reforça
o sistema, e que vê na mulher um "desvio".
Precisamos explicar a estas pessoas que a heterossexualidade
não é o ponto máximo da evolução
sexual... A maneira pejorativa e desprezível
que a sociedade patriarcal nos vê precisa ser
questionada. Precisamos, portanto, vestireste "atrevimento"
e defender um espaço incontestável e irredutível
dentro do sistema. Sei também que isto não
será feito impunemente: vão acontecer
acidentes de percurso. No entanto, precisamos dizer
para todo mundo que qualquer que seja a opção
é preciso vivê-la com ética e responsabilidade.
Chega de ouvir a explicação que o sistema
dá: a lésbica só é "assim"
porque nunca encontrou um homem à altura...
Fico me lembrando de uma música que o MPB-4 canta:
"O que a gente faz digo prá ninguém/porque
é bom demais e vão querer fazer também".
Acho que se a gente pensar ao verso desta música,
vai começar a perceber que o sexo partilhado
entre mulheres pode ser tão prazeroso que corre-se
o risco de "todo mundo querer fazer também".
Somos as "perigosas". As que balançam
o sistema. Temos a chance de optar por uma vida plena,
feliz sem a presença masculina... É atrevimento
demais?
VAMOS
À LUTA!
Silthar.
www.silthar.weblogger.terra.com.br
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