Se ela dança, eu danço!
Por Nina Lopes

As lésbicas podem ser divididas em AA, aa, Aa e aA. Entenda o código:
Tenho inúmeros amigos hétero, que conseqüentemente me apresentam a seus a migos e que, ao saberem que sou homossexual, sempre, sempre que se sentem um pouco mais íntimos fazem a fatídica pergunta:
- Quem faz o papel do homem e quem faz o da mulher?
Em silêncio, rezo baixinho antes de responder: Minha Nossa Senhora das Lésbicas Assumidas, ajudai nessa hora de desespero. Amém.
- Ninguém - respondo com calma. É uma troca.
Frustrados e visivelmente constrangidos, eles rapidamente mudam de assunto, para meu total alívio. Afinal, ninguém gosta de discorrer sobre sua vida sexual na mesa de um restaurante, principalmente com pessoas que mal conhece.
No entanto, esta é uma discussão comum, até mesmo entre lésbicas.
De todas as explicações que já ouvi, certamente a melhor foi a de uma amiga bióloga que dizia que as mulheres podem ser classificadas da seguinte maneira:
AA - (azão-azão) aquela que é 100% ativa
aa - (azinho-azinho) aquela que é 100% passiva
aA - (azinho-azão) aquela que é primeiro passiva e depois ativa
Aa - (azão-azinho) aquela que é primeiro ativa e depois passiva
Não entendeu nada?
Ah menina! Faltou na aula de genética, não é?
Os genes são representados por letras. Para o gene recessivo usa-se a letra em minúsculo e para o gene dominante, a mesma letra, porém em maiúsculo. Lembrou?
Achei engraçado e inteligente usar como metáfora o recessivo para passiva e o dominante para ativa. Mas, é tão fácil assim definir em palavras o que gosta ou deixa de gostar na cama?
Já tentei encontrar várias explicações físicas, metafísicas, psicológicas e sociológicas as quais tive acesso para chegar a uma resposta ampla e satisfatória para esta pergunta.
Na minha opinião, sexo entre duas mulheres é um pas-des-deux de suavidade, sincronia e delicadeza. Basta encontrar seu próprio ritmo e adaptá-lo ao ritmo da sua parceira. No começo a gente pisa um pouquinho no pé uma da outra, mas quando a gente encontra o compasso, é só se deixar levar pela música e dançar, dançar, dançar...
Se ela dança, eu danço
Se ela dança, eu danço
Falei com o DJ...
Nina Lopes tem 33 anos, é metida a falar difícil e editora da revista Sobre Elas - www.sobreelas.com.br
Fonte:Mix Brasil em 15/05/06