Informativo:


Pedofilia no Orkut na mira do Ministério Público Federal

Já se foi o tempo em que o site de relacionamentos Orkut – que tem mais de 70% de usuários brasileiros – era considerado um "território sem lei". O Google cedeu à pressão da Justiça brasileira e irá colaborar nas investigações sobre casos de pedofilia entre os usuários do serviço, que é administrado pela empresa.

Eles se escondem no Orkut sob apelidos como “Garoto, Quero ‘Adotá’” e “Mulek”. Sentindo-se protegidos por perfis falsos, os pedófilos do site de relacionamentos reúnem-se em comunidades de nomes sugestivos, como "Amo Meninos de Cueca". Por lá, informam seus endereços de e-mail e de MSN para que possam trocar fotos de menores em situações eróticas ou, até, conversar, via videoconferência, com adolescentes.

“Essas comunidades se transformaram em verdadeiros clubes de pedofilia”, denuncia Anderson Miranda, fundador da Campanha Nacional de Combate à Pedofilia. “O Orkut facilita muito a vida desses criminosos. Eles sabem que, dificilmente, serão pegos.”

Não são poucos os pedófilos presentes no Orkut. Em 3 meses de pesquisa, a ONG Safernet descobriu a existência de 5 mil pessoas – que postavam textos em comunidades e tinham fotos pornográficas de menores em seus perfis.

Ministério Público centraliza denúncias de pedofilia na internet

Denúncias de pornografia infantil e crimes contra os direitos humanos na internet brasileira ganham um canal centralizado de denúncias online: o site Denuncie.org.br. A iniciativa é fruto de um acordo de cooperação técnica firmado entre o Ministério Público Federal em São Paulo e a SaferNet Brasil, organização não-governamental sem fins lucrativos mantenedora do site.

Entenda: O que é Pedofilia?

No senso comum, a pedofilia é quando um adulto abusa sexualmente de uma criança. Para a psicanálise, a pedofilia é a preferência sexual por crianças, normalmente na idade pré-puberal (entre 7 e 14 anos) sendo considerado um dos mais graves crimes cometidos em nossa sociedade. Para a psicóloga Ana Paula Moratto, a pedofilia é um dos três tabús conservados por nossa sociedade. Os outros dois tabús são o incesto e o canibalismo. Para Freud, o pedófilo é um indivíduo fraco e impotente, que sente-se atraído por crianças por estas serem mais fracas e fáceis de conquistar quando outros objetos lhe são excluídos pela angústia.

Qualquer forma de contato sexual entre um adulto e uma criança, direto ou indireto, consensual ou não, é abusivo, já que este ato é motivado exclusivamente pelas necessidades e desejos do adulto. A criança não possui um perfil psicológico e emocional para lidar com um abuso sexual, seja ele um ato de exposição, toque sexual ou penetração.

Além do abuso físico, as crianças podem sofrer outros tipos de abusos sexuais, como:

Exibicionismo: mostrar filmes ou fotos pornográficas, mostrar os órgãos genitais ou fazer qualquer tipo de comentário obsceno.
Voyeurismo: olhar ou espreitar a criança, tirando a sua privacidade
Pornografia infantil: tirar fotos ou filmar crianças nuas
Um dos traços mais perversos da pedofilia é o senso comum de que ela ocorre com baixa freqüência e normalmente é associada a fatores externos, como se as crianças fossem abusadas somente por estranhos. É o lado mais perverso porque a maioria dos casos de pedofilia ocorrem dentro da própria família, caracterizando um ato de incesto. O peso do incesto é ainda muito maior para a criança, pois é um ato desestabilizador do agressor, do agredido e do ambiente familiar como um todo. O incesto compromete os membros da família com um pacto de silêncio, possivelmente sob ameaças e medo.

Na comunidade, a pedofilia pode ser apresentada pela pederastia, quando o pedófilo não procura uma vítima dentro da sua célula familiar, mas dentro de uma comunidade. Estes são os casos mais associados a pedofilia, como os padres católicos denunciados no Estados Unidos e o médico brasileiro Eugenio Chipkevitch. Na pederastia prevalece a imagem reforçada por filmes e pela mídia: normalmente a criança é abordada pelo pedofilo num jardim, na saída da escola ou num salão de jogos. Nestes casos há maior dominação, podendo em muitos casos incorrer numa psicose do agressor, ou seja, além de abusar da criança, o agressor acaba por matá-la.

Por último, temos a prostituição infantil que ultrapassa qualquer barreira de sanidade. Segundo dados divulgados no Congresso Mundial contra a Exploração Comercial e Sexual de Crianças (Estocolmo, 1996) há cerca de 2 milhões de crianças exploradas sexualmente no mundo. Além de alimentar uma rede ilegal de filmes e fotografias, incluem-se as crianças que se prostituem nas periferias das cidades. A pobreza é um agravante para a elevada taxa de prostituição infantil, mas são o uso de drogas cada vez mais freqüente entre menores que aumenta o número de crianças na prostituição.

Segundo dados do mesmo congresso, há cerca de 600 mil crianças que se prostítuem nas Filipinas, 300 mil nos Estados Unidos, 300 mil na Índia e 500 mil no Brasil. Na grande Florianópolis, pré-adolescentes costumam ganhar a vida nas esquinas das grandes avenidas da cidade. Países desenvolvidos também nos dão demonstração deste horror. Na década passada Marc Dutroux espantou o mundo, ao manter confinadas, sem água nem comida, duas meninas. Elas morreram por inanição. Isto aconteceu na Bélgica, onde fica a capital da União Européia.

Uma parceria com o site FERVO
editor@fervo.com.br


 

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