Brasil
ganha 1ª operadora de câmbio voltada para gays
SÉRGIO RIPARDO
Editor de Ilustrada da Folha Online
O
Brasil vai ganhar sua primeira operadora de câmbio
especializada no atendimento do público GLBT (Gays,
Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros).

Sediada
em São Paulo, a Action DTVM (Distribuidora de Títulos
e Valores Mobiliários) decidiu abrir uma filial voltada
para esse segmento.
O
projeto-piloto começou a ser colocado em prática
na filial da rua Augusta, um point tradicional dos gays.
"O
público GLBT compra bastante moeda estrangeira para
curtir as férias no exterior", diz o diretor
comercial da Action, Danilo Trellesse.
Em
breve, uma nova loja deve ser aberta na região do
Shopping Frei Caneca, bastante freqüentada pelo público
GLBT na capital paulista.
Travestis
Segundo
o executivo, o objetivo da Action foi evitar uma ação
de marketing considerada "agressiva e oportunista".
"Buscamos
orientação com associações e
agências de viagem que trabalham com esse segmento.
Queremos criar um ambiente em que todos se sintam à
vontade, sem medo de discriminação."
Para
divulgar o espírito "gay-friendly" da empresa,
já foram produzidos 10 mil cartões-postais
ilustrados pela imagem de uma drag queen pisando cédulas
de dólar com um sapato plataforma.
O
símbolo da bandeira do arco-íris (a "rainbow
flag", em inglês) acompanha a logomarca da empresa.
Esse material está sendo distribuído em bares
e restaurantes, onde o nome "Action" impresso
no cartão publicitário confundiu alguns gays,
que pensaram se tratar de algum anúncio de academia
de ginástica.
"Muitos
travestis se sentem constrangidos de fazer operações
de câmbio, pois têm de mostrar documentos. Em
nossa filial, ninguém vai rir nem fazer comentários
preconceituosos. O atendimento é natural."
Sexo
Mas
a busca de moeda para viagens internacionais não
é o único caso detectado na filial da Action
na rua Augusta.
Segundo
Trellesse, garotos de programa e prostitutas que trabalham
na região recebem o pagamento em moeda estrangeira
e buscam a loja para trocar o dinheiro por reais.
"Há
casos em que travestis pedem para outras pessoas trocaram
o dinheiro ou vão vestidos com roupas masculinas.
Ninguém precisa ter vergonha. Temos de tratar todo
o cliente de forma tranqüila, sem distinção."
O
diretor da Action diz que essa orientação
no atendimento do público GLBT é adotada em
todas as filiais - 25 unidades em São Paulo (23 na
capital, uma em Sorocaba e em Campinas), outra no Rio e
em Curitiba.