Lei
pretende acabar com famosa praia
de
nudismo em SC
THIAGO REIS
da Agência Folha
A
praia nudista da Galheta, em Florianópolis (SC),
corre o risco de ser interditada. Uma das mais conhecidas
do Brasil, ela recebe até mil turistas por dia no
verão. A falta de segurança no local levou
o vereador João Batista (PDT) a encaminhar um projeto
de lei que determina a suspensão da prática
no local.
O
nudismo na praia da Galheta é amparado por lei (diferente
de outras pelo Brasil, nas quais há a liberação
por decreto municipal, que pode ser revogado a qualquer
momento pelo prefeito). Está há 15 anos sob
proteção jurídica.
"Não
sou contrário ao naturismo, mas às condições
para praticá-lo. [Na Galheta] A pessoa pode ser estuprada,
desrespeitada, e isso não vou deixar acontecer."
Há
ainda, afirma, briga com os pescadores, afogamentos e pessoas
que vão à praia com intenções
que não a prática do nudismo. "Não
existe respeito. Há gente que vai para fazer orgias."
Não
é obrigatório entrar nu no local. O presidente
da Associação Amigos da Galheta, Afonso Alles,
concorda que há falta de fiscais no local e diz que
pede, todos os anos, policiamento e salva-vidas. Mas, segundo
ele, o projeto vai atender a outros interesses. "Isso
vai acabar trazendo especulação ao setor imobiliário.
É o que está em jogo."
Para
Alles, os incidentes que ocorrem na Galheta são similares
aos de outras praias. "O problema é na época
da tainha, quando os pescadores acabam implicando com os
banhistas nus."
A
associação sem fins lucrativos é responsável
pela preservação da área - um parque
ecológico. "Só não temos poder
de polícia para expulsar as pessoas."
O
coronel Mário Cézar Simas, comandante do policiamento
metropolitano da capital, afirma que não possui o
número exato de registros de ameaças, insultos
e agressões no local. "Mas é uma coisa
natural que aconteçam esses casos porque Santa Catarina
é um Estado muito conservador."
Segundo
ele, a PM irá aguardar uma orientação
da Secretaria da Segurança Pública para tomar
providências.
A
assessoria da secretaria disse que não há
um posto policial na Galheta e que, de fato, falta efetivo
no órgão. Há concursos públicos
para o preenchimento de vagas. Uma audiência pública
foi feita nesta semana e uma outra está marcada para
acontecer após os dois primeiros meses do ano. "Vou
esperar para ver se haverá um comprometimento do
poder público. Se isso ocorrer, arquivo o projeto",
diz Batista.