Ícone
lésbico, Zélia Duncan festeja Dia da Mulher
em SP
A cantora e compositora
niteroiense Zélia Duncan, 41, vai se apresentar no
próximo dia 12 de março, às 15h, no
Sesc Itaquera, na zona leste de São Paulo. O espetáculo
faz parte das comemorações do Dia Internacional
da Mulher (8).
Divulgação
Cantora fará mais um show em unidade do Sesc
O show se chama "Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band",
título do 8º CD e de canção composta
com Lenine. Ela canta hits e ainda "Dor Elegante",
parceria com Paulo Leminsky, "Tudo ou Nada" e
"Milágrimas", com Alice Ruiz.
Zélia
Duncan - ou ZD como é chamada pela amiga Mart'nália--
é considerada um ícone lésbico. As
meninas lotam seus shows e veneram a artista, como se viu
no Sesc Vila Mariana no começo do mês, onde
os ingressos para três apresentações
esgotaram em três dias.
"Linda", "Maravilhosa",
"Minha deusa" e "Te amo" são
gritos femininos que eclodem da platéia com freqüência
nos shows de ZD. No último dia 19, balões
vermelhos na forma de coração foram jogados
no palco.
Participou do show Anelis
Assumpção, do grupo DonaZica e filha de Itamar
Assunção (1949-2003), ídolo de ZD.
Elas cantaram "Milágrimas" sob forte emoção
--Anelis chega a encostar a cabeça no ombro de ZD.
Ana
Carolina Fernandes/FI
Zélia Duncan nasceu em Niterói,
no Rio de Janeiro
Em
outra interpretação, Anelis brincou simulando
um clima de flerte, cercando e encostando sua perna na da
colega. ZD chispou educadamente e riu dizendo: "Safada".
No
show do Sesc Vila Mariana, ZD vestia calça preta,
blusa branca, cortada em tiras, e sapato estilo "All
Star". Ela entrou no palco com uma coroa de rosas vermelhas
na cabeça.
Na
reta final do show, as garotas levantam da poltrona e se
aglomeram na fila do "gargarejo" do teatro e haja
cliques com máquinas fotográficas, câmeras
de celulares e mãos estendidas em busca de um toque.
Intimidade
preservada
Discreta, a cantora evita
expor em público sua vida pessoal. Entre outras cantoras
admiradas pelas lésbicas, estão a cantora
Ana Carolina, que já admitiu ser bissexual à
revista "Veja", a assumida Vange Leonel, a militante
Laura Finocchiaro e Lan Lan, amiga de Cássia Eller
(1962-2001).
Para uns fãs, não
importa a orientação sexual de um artista,
e especular sobre isso só alimenta discriminações.
Também quem se declara gay corre o risco de sofrer
o preconceito da indústria e perder mercado.
Reprodução
Revista estampou Ana Carolina na capa
Para outros, ser homossexual não é motivo
de vergonha e, por isso, não há nada de mal
em sair do armário evitando uma vida ambígua.
No Brasil, essa atitude ainda é vista como tabu,
dando margem a todo tipo de insinuações e
injustiças.
É
raro alguém - principalmente mulher - tocar no assunto
como fez Ana Carolina, capa de "Veja" (21 de dezembro
de 2005) e hoje 2ª maior vendedora de CDs do país:
"Sou bissexual. Acho natural gostar de homens e mulheres.
Sou contra essa postura de levantar bandeiras para defender
o homossexualismo [sic], pois fica parecendo que ser gay
é uma doença. Posso até estar saindo
com uma mulher mas, se eu me apaixonar por um homem e decidir
casar com ele na igreja, de véu e grinalda, ninguém
vai impedir."
Fonte: Folha online (http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u58258.shtml)