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Ministério Público pede a cassação da Rede TV!

O Ministério Público Federal em São Paulo ajuizou, ontem, uma ação pedindo a cassação da concessão da Rede TV!, como reação contra os atos de discriminação contra homossexuais e humilhações a mulheres, idosos e deficientes físicos no programa Tardes Quentes, produzido, dirigido e apresentado por João Kléber.

A ação civil pública, co-assinada por entidades de defesa dos direitos dos homossexuais e de controle social da programação das emissoras de tevê, deve tramitar com urgência, pelo menos inicialmente, porque contém um pedido de antecipação de tutela.

Desde logo é pedida a retirada imediata do programa do ar e a colocação, no mesmo horário, de um direito de resposta às entidades de direitos humanos, a serem veiculados durante 60 dias. Caso a emissora seja condenada, os procuradores paulistas pedem a condenação a uma multa para o fundo de direitos difusos no valor de R$ 20 milhões, equivalente a 10% do faturamento bruto anual da emissora. Além disso, pedem a cassação da concessão pública da emissora, o que na prática seria a sua extinção. As informações são da revista Consultor Jurídico.

Os procuradores Sergio Gardenghi Suiama e Adriana da Silva Fernandes, que assinaram a ação, antes propuseram à emissora um Termo de Ajustamento de Conduta, pelo qual a Rede Tv! concordaria em retirar do ar programas discriminatórios e assim evitaria a ação. A Rede TV!, no entanto, teria rejeitado a proposta.

A emissora é acusada também pelos procuradores de tentar impedir a apuração dos fatos lesivos e ofensivos. Para que as fitas com as chamadas "pegadinhas" fossem entregues ao MPF, foi necessária uma busca e apreensão determinada pela Justiça Federal. Por isso, os autores da ação já avisaram que não pretendem fazer acordo, levando-a até as últimas conseqüências.

Esta ação é parte de um conjunto de medidas do MPF e de entidades como o "Quem Financia a Baixaria É Contra a Cidadania" contra os programas de conteúdo discriminatório. A entidade faz um ranking quadrimestral de queixas de telespectadores contra programas considerados de baixo nível. Na contagem geral, os dois programas de João Kléber estão entre os mais citados. O "Eu Vi na TV" também é alvo de procedimento no MPF. O apresentador já se propôs, no MPF e para a entidade, a melhorar a qualidade de seus programas televisivos, mas não cumpriu.

O Ministério Público também expediu uma recomendação à empresa Móveis Marabrás, sugerindo que a empresa deixe de patrocinar programas como os de João Kleber. Em um outro procedimento, os procuradores investigam a falta de fiscalização do Ministério das Comunicações sobre a programação das concessionárias de sinal televisivo.

Além da Rede TV! a Rede Globo, a TV Gazeta, a Rede Record e a Rede Mulher já foram acionadas na Justiça por causa de sua programação. O Ministério Público Federal em Brasília recomendou que a Globo retirasse do ar determinados quadros do Zorra Total de rejeição ou aversão a homossexuais, assim como do programa do apresentador Sérgio Mallandro, da TV Gazeta.

No caso das redes Record e Mulher, ambas controladas pela Igreja Universal do Reino de Deus, a reclamação é contra os programas religiosos que discriminam as religiões afrobrasileiras e seus praticantes. Neste caso, a Justiça já concedeu o direito de resposta, que ainda não foi apresentado por causa de um recurso no STJ que adiou a exibição até o julgamento de um pedido de reconsideração das emissoras no TRF-3.

Procurado pela revista Consultor Jurídico, o superintendente de gestão estratégica da Rede TV! Dênis Munhoz disse que "entrou em contato com os procuradores que assinaram a ação para tentar um ajustamento de conduta". Para Munhoz não há a necessidade de uma ação para cassar a concessão da emissora.
 


Veja o último ranking da "Baixaria na Televisão"

João Kléber liderou baixaria na televisão brasileira pela quarta vez

Os programas Eu Vi na TV e Tardes Quentes, comandados pelo apresentador João Kléber, na Rede TV!, conquistaram, pela quarta vez, a liderança no ranking da baixaria na televisão. O resultado foi divulgado em junho pela campanha "Quem financia a baixaria é contra a cidadania", da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal - e foi a motivação para a ação ontem ajuizada pelo MPF.

O nono ranking da campanha foi estabelecido a partir de 1.211 denúncias de telespectadores insatisfeitos com a programação da televisão brasileira, recebidas de 10 de janeiro a 3 de junho. Desde 13 de novembro de 2002, a campanha já recebeu 17.415 manifestações.

Somente no último ranking, os programas de João Kléber receberam 144 reclamações fundamentadas, por suspeita de fraude em diversos casos exibidos e pela exposição de seus participantes ao ridículo. O programa Tarde Quente também teve seu horário de exibição considerado impróprio pelos telespectadores.

O coordenador da campanha, deputado Orlando Fantazzini (PT-SP), anunciara, em junho, que encaminharia as denúncias ao Ministério Público, pedindo providências imediatas contra as diversas violações cometidas contra os direitos humanos.

O deputado conta que o apresentador chegou a entrar em contato com os organizadores do ranking há dois anos, preocupado com a repercussão negativa de seus programas, que já haviam liderado as reclamações. "João Kléber nos procurou com o objetivo de mudar o formato de seus programas. Infelizmente, isso não ocorreu", lamenta Fantazzini.

Três novelas da Globo também apareceram no ranking. Senhora do Destino figurou em segundo lugar com 74 denúncias, seguida de América, que recebeu 70 reclamações por exibir cenas com apelo sexual e maus tratos aos animais. Já A Lua me Disse ficou em 5º lugar com denúncias que apontam a discriminação aos povos indígenas.

O programa Pânico na Tv , da Rede TV!, recebeu 43 denúncias fundamentadas, ficando em 4º lugar. Algumas das denúncias incluem as várias cenas em que as pessoas são expostas ao ridículo, além do uso freqüente de palavras de baixo calão. (Com informações da Agência Câmara).

Fonte: http://www.espacovital.com.br em 25/10/2005

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